Free Web Hosting Provider - Web Hosting - E-commerce - High Speed Internet - Free Web Page
Search the Web

Produção de longas latino-americanos na vitrine

O Estado de S. Paulo - Caderno 2 - Produção de longas latino-americanos na vitrine

postmaster@hablantessp.8k.com                    Portada :.

MARIA DO ROSÁRIO CAETANO
Especial para O Estado

O Brasil consegue visibilidade jamais obtida em sua história cinematográfica e disputa, hoje, quatro estatuetas da Academia de Hollywood.

Chega, portanto, à maior vitrine do cinema mundial com um filme falado em português, realizado com atores e técnicos brasileiros (Cidade de Deus).

A Argentina saiu do Festival de Berlim, uma semana atrás, com três Ursos (um Ouro especial para Fernando Solanas e dois de prata, para El Abrazo Partido, de Daniel Burman).

Walter Salles, com Robert Redford na retaguarda, concluiu Diários de Motocicleta, um road movie centrado em viagem iniciática dos jovens Ernesto Guevara e Alberto Granado. O filme representará o Brasil em Cannes, em maio.

Ancorado no idioma espanhol, o cineasta brasileiro registra, com pegada documental, espaços simbólicos da latinidade. O mais eloqüente deles é a cidade peruana de Machu Picchu.

Donald Ranvaud, produtor anglo-italiano, radicado em Los Angeles, acabou de criar a produtora Buena Onda. Sua intenção é usar a empresa, batizada com expressão cunhada por jovens cineastas brasileiros, argentinos e mexicanos, para incrementar a difusão do cinema latino-americano nas telas do mundo.

Carlos Bolado, diretor de Bajo California, filma na Bahia parte de seu novo longa: Sólo Sabe Diós. À frente do elenco, o mexicano Diego Luna (do hit E Sua Mãe Também!) e a brasileira Alice Braga (sobrinha de Sônia), revelada em Cidade de Deus (quem não se lembra da paixão de Buscapé pela moça branca que fumava baseado na praia?).

O cinema latino-americano está vivendo momento especial? Ou continua, como sempre, na periferia, fazendo jus às poucas migalhas que, historicamente, lhe sobram no banquete dos grandes do cinema?

O cineasta e distribuidor André Sturm, da Pandora Filmes, detecta "uma onda a favor" do cinema latino-americano. "Para ser preciso, diria que vivemos uma onda de cinema argentino; pois é incrível o sucesso internacional que essa cinematografia vem alcançando." Basta ver - exemplifica - a premiação do último Festival de Berlim. E mais: "Toda vez que vou a Paris, há pelo menos três filmes argentinos em cartaz."

Sturm acredita que as quatro indicações de Cidade de Deus ao Oscar devem resultar em um "bom empurrão ao cinema brasileiro". "Aos poucos, vamos também firmando reputação internacional."

Ângela José, organizadora do Festival CineSul, que ocorre anualmente no Rio (com extensão em São Paulo), também acredita que o momento vivido pela cinematografia latino-americana é especial. Ela estabelece comparação entre os anos 60, quando o movimento dos Cinemas Novos (na América Latina) ganhou força, e o momento atual. "Na década de 60, a maioria dos países do subcontinente chamava atenção porque vivíamos sob ditaduras militares e o cinema era visto como peça de resistência", afirma. "A partir dos anos 90, com a abertura democrática, a cinematografia latino-americana se renovou, cresceu e vem tentado se reestruturar como indústria." Os realizadores e produtores querem, agora mais que nunca, "ver seus filmes nas telas de todos os países da América Latina e no mercado internacional. E estão lutando por isso".

Alberto Flaksman, superintendente de Promoção e Comércio Exterior da Ancine (Agência Nacional de Cinema), destaca o acordo assinado pela instituição brasileira tendo o Incaa (Instituto de Cinema e Artes Audiovisuais da Argentina) como parceiro.

"A busca de mercado latino-americano para os filmes brasileiros saiu do campo da retórica para a prática", pontua. "O acordo Ancine/Incaa estimula, ao mesmo tempo, um aumento do número de filmes argentinos distribuídos no Brasil e de filmes brasileiros distribuídos no país vizinho."

Pelo acordo, cada país entra com (até) oito títulos. Distribuidoras brasileiras e argentinas recebem aportes financeiros que variam entre 60 mil e 100 mil (reais ou pesos). Os gastos serão feitos em serviços de copiagem, legendagem e espaço publicitário na mídia.

Flaksman acredita que o cinema brasileiro ganhará, com o novo acordo, acesso a mercado difícil, não por rejeição a nossos filmes e sim pelo pequeno espaço que sobra para nossa produção em terreno ocupado e extremamente competitivo. "Temos certeza que o público argentino reagirá bem aos nossos filmes, assim como o brasileiro já vem reagindo a filmes vindos de lá (Filho da Noiva, Kamchatka e Nove Rainhas)." A batalha, há que se convir, será árdua. Até Cidade de Deus, que estourou no mundo anglo-saxão (em especial na Inglaterra), teve dificuldades de diálogo com o público argentino. Fernando Meirelles testemunha que a carreira de seu filme no país platino deixou muito a desejar.

Lançamentos - Apaixonados, de Juan José Jusid, o primeiro dos sete títulos apoiados pelo acordo Ancine/Incaa, chegou às telas brasileiras, 15 dias atrás, sem grande alarde. O filme, lançado pela Columbia, assemelha-se a Sexo, Amor e Traição, de Jorge Fernando. O outro título argentino do pacote Columbia é Cleópatra, de Eduardo Mignona, que tem na diva argentina Norma Aleandro (a Fernanda Montenegro portenha) sua peça de resistência.

André Sturm vai lançar (em abril) Histórias Mínimas, belo filme de Carlos Sorín, detentor dos principais troféus Condor (prêmio argentino) e vencedor, semanas atrás, do Goya de melhor longa estrangeiro (escolha da Academia Espanhola de Cinema).

Como foi agraciado com apoio do acordo Ancine/Incaa, Sturm espera ter mais sorte com o público, nesta que será sua segunda aventura com filme latino-americano. "A primeira foi com o mexicano Dois Crimes, produção de muitas qualidades, mas que teve péssimo resultado de público."

O distribuidor prefere relembrar filmes hispano-americanos que, nos últimos 10 anos, fizeram 'sucesso' por aqui: Como Água para Chocolate, Morango & Chocolate, Nove Rainhas, Pantaleão, Amores Perros, Crime do Padre Amaro e Filho da Noiva. E abre espaço especial para lembrar História Oficial, único ("por enquanto, toc, toc") Oscar de melhor filme estrangeiro do subcontinente, e garante que, hoje à noite, estará torcendo por Cidade de Deus. Afinal, quer ver uma ("quem sabe duas!") estatueta desembarcando no Brasil.

Circuito de arte - Um "sucesso" hispano-americano no Brasil atinge de 70 mil (Pantaleão e as Visitadoras) a 300 mil espectadores (O Filho da Noiva). Tudo sobre Minha Mãe, do espanhol Pedro Almodóvar, vendeu quase 500 mil ingressos.

Além dos dois filmes da Columbia (Apaixonados e Cleópatra) e de Histórias Mínimas, da Pandora, os brasileiros verão, ainda neste semestre, os ótimos El Bonaerense, de Pablo Trapero, e Lugares Comuns, de Adolfo Aristarain (Consórcio Europa), o infantil Micaela, una Película Mágica (da Copacabana, de Carla Camurati) e Ilusión de Movimiento (Linha de Produção).

Em contrapartida, os argentinos verão Madame Satã, Amarelo Manga, Caminho das Nuvens, Casamento de Louise, Cristina Quer Casar, Dois Perdidos numa Noite Suja, Deus É Brasileiro e Separações, este, o vencedor do Festival de Mar del Plata.

No segundo semestre deste ano, a Ancine e o Incaa realizarão novo concurso para a seleção dos filmes que receberão novos apoios. Mas até lá, sem retaguarda oficial, outros filmes hispano-americanos chegarão aos cinemas brasileiros. Caso de Valentín, de Alejandro Agresti (que trocou as experiências formais de seus primeiros filmes pelas memórias de infância), do terror teen No Debes Estar aqui, do policial O Alquimista Impaciente, de Hoy y Mañana, e do romântico O Mesmo Amor, a Mesma Chuva (exibido em Gramado/2000), do mesmo diretor de O Filho da Noiva.

A Art Films assinará o lançamento de O Abraço Partido, o filme de Daniel Burman que tanto sucesso fez em Berlim. Desta vez, resta ver se o festejado realizador conseguirá mobilizar mais de 100 mil espectadores por aqui.

Afinal, ano passado, com Esperando o Messias (que tinha a italiana Stefania Sandrelli no elenco) não chegou aos 10 mil.

Cine Argentino en San Pablo/Cinema Argentino em São Paulo

Sesiones de películas en español en el Centro Catalonia

Entrevista con el actor que protagonizó al joven "Che Guevara"


Deje su : Ideas para una coproducción Argentina-Brasil de cine/Ideias para uma co-producão Brasil-Argentina de cinema