Historia de las Empanadas (en portugués, tomado de "O Estado de São Paulo") Receta de empanada
J.A. DIAS LOPES Especial para o Estado
Historia do Doce Leite Argentino
-
Podem existir argentinos que não saibam dançar tango e estejam
cansados de ouvir Carlos Gardel; também devem haver os que detestam Eva
Perón, nunca leram Jorge Luis Borges e não consideram Diego Maradona um
modelo de virtudes. Mas é impossível encontrar um argentino que não goste de
empanada. É a sedutora porta-bandeira de sua gastronomia. Nada mais
compreensível. Descendente do pão recheado e prima-irmã do pastel, a
empanada é uma obra-prima. Ao lado do "asado", nome que nossos vizinhos dão
ao churrasco, e do doce de leite, compõe a santíssima trindade de sua
culinária rica e substanciosa. Quase todos os países da América Latina a
preparam, sobretudo o Chile, Venezuela e Bolívia, com receitas assemelhadas.
-
No Brasil, tem consumo restrito ao couvert das churrascarias rio-platenses e
aos balcões envidraçados de alguns bares. Mas é na Argentina que merece o
status de monumento nacional.
-
Na verdade, a empanada constitui preparação bastante antiga. Alguns
estudiosos acreditam que nasceu na época neolítica ou da pedra polida,
quando o homem já se encontrava em grande desenvolvimento cultural. Foi o
período no qual quebramos e moemos grãos para fazer as farinhas.
-
Misturando-as com água, formávamos massas para assar sobre pedras. Surgia
uma espécie de prato de pão. Sobre ele colocávamos comida. Obviamente,
nossos ancestrais pegavam aquilo com a mão. A fim de não desperdiçar a
cobertura, dobravam o prato de pão e improvisavam uma empanada. O nome da
especialidade se reportaria a esse gesto. A palavra espanhola empanada viria
de "en pan", depois "empan", o ato de colocar alguma coisa dentro do pão.
-
Embora a teoria seja atraente, não é preciso recuar tanto no tempo. De
acordo com outros pesquisadores, a receita que conhecemos teve origem na
antiga Pérsia. Os árabes a assimilaram quando entraram em contato com aquele
país e até hoje a elaboram com o nome de esfiha. Quando invadiram a Espanha,
no ano 711, introduziram a preparação. Costumavam transportá-la nos farnéis
de viagem. Na Espanha, a empanada foi popular durante a Idade Média. Até
hoje é um dos pratos representativos da culinária da Galícia. Ali,
habitualmente se apresenta sob a forma de um empadão redondo, às vezes
retangular. Cortada em pedaços, é servida quente ou fria, em meio às
apetitosas tapas - os tira-gostos típicos em torno dos quais os espanhóis se
reúnem para confraternizar.
-
A massa da empanada galega costuma ser de pão comum ou folheada. É assada no
forno ou frita em óleo. O recheio varia conforme o lugar e a casa. No meio
rural, leva frango, cebola e pimentão; ou carne de porco, chouriço e
verduras. Na região costeira é feita com marisco, sardinha, anchova e
bacalhau. Já nas imediações de Ourense, antiga capital do reino da Galícia,
incorpora peixe de rio, enguia ou lampréia. Muitas vezes o recheio aproveita
sobras de comida. A empanada foi imortalizada no Pórtico da Glória, do
século 12, uma das atrações artísticas da catedral de Santiago de
Compostela, localizada na Galícia. Importante centro mundial de romaria, o
célebre templo católico guardaria os restos do apóstolo Tiago. Entre as
figuras entalhadas do Pórtico da Glória se encontra um guloso obrigado a
comer eternamente uma empanada. A reminiscência árabe permanece. A
especialidade continua a ser colocada nas provisões de viagem dos peregrinos
que enfrentam a pé o longo caminho até Santiago de Compostela.
-
Segundo Vera Giaconi e Stella Fernández, autoras do livro Cocina Argentina -
Clásica y Moderna (Emecé Editores, Buenos Aires, 2003), a preparação cruzou
o Atlântico e aportou na América nos farnéis dos imigrantes espanhóis. "Mas
na Argentina cada província se apropriou da receita para adaptá-la,
enriquecê-la e reinventá-la", afirmam. Assim, existem as empanadas criollas,
típicas da região de Buenos Aires, as fritas, as saltenãs, as rosarianas, as
cordobesas, as mendocinas, as tucumanas - e aí por diante. Em todas elas o
recheio de carne é predominante. Pequenas mudanças fazem a receita mudar de
um lugar para outro. Há empanadas com os "repulgues" (bordas) torcidos para
cima ou para baixo, para a direita ou esquerda; pinceladas ou não com ovo,
antes do ingresso no forno; apimentadas ou não; com mais ou menos cominho;
com ou sem tomate; com azeitona ou uva passa e desprovidas desses
complementos. Outras alternativas de recheio são queijo, queijo e presunto,
queijo e cebola, queijo e milho verde (choclo), roquefort e frango.
-
Quando levam carne, os argentinos observam alguns cuidados. Escolhem em
geral contrafilé, embora possam usar outros cortes. Cortam a peça em bifes,
a seguir em finas tiras e depois picam com a faca, pacientemente.
-
Desaconselham o uso da carne moída, porque seca rapidamente e requer mais
gordura para o cozimento. Afinal, uma das características das melhores
empanadas é o recheio úmido. Respeitam certo ritual ao saborear empanadas.
-
Recomendam pegá-las com a mão. As bancas de jornais e revistas do país
vendem um pôster que difunde essa etiqueta. Uma das lições sugere sacudir a
empanada antes da primeira dentada, "a fim de distribuir o suco no seu
interior". Além disso, para maior deleite, as pessoas devem estar sentadas.
-
As mulheres são aconselhadas a puxar as saias acima dos joelhos e os homens
a abrir as pernas, "para o suco não escorrer e sujar a roupa". O deleite se
estende ao vinho. Segundo os argentinos, as empanadas de carne pedem a
companhia de um belo tinto de Mendoza.
-
Si ud. quiere participar de nuestro "shopping", envíenos un e-mail y nos comunicaremos con ud.
Postmaster@hablantessp.8k.com
|