Origem do doce de leite
Receta do Doce de Leite Argentino
Regulamento do Doce de Leite
Sucesso do doce de leite brasileiro em Nova York
TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO DE DOCE DE LEITE
Legislação para a industria produtora de doce de leite
Em termos domésticos o bicarbonato é dispensável
Azuaga
Doce de Leite
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TECNOLOGIA DE FABRICAÇÃO DE DOCE DE LEITE
1. Definição:
1.1. É o produto
resultante da concentração ao ambiente (sem
vácuo) de uma mistura constituída de açúcar de cana ou beterraba (sacarose).
O doce de leite poderá ser adicionado de glicose (açúcar de milho),
aromatizante (baunilha), frutas (coco, ameixa, cacau, amendoim) e
bicarbonato de sódio, para redução da acidez.
2. Matéria Prima
2.1. O leite destinado à
fabricação do doce tem que ser de ótima
qualidade, com acidez máxima de 19ºD a serem reduzidos para 13ºD no momento
da fabricação e tendo sua gordura padronizada para 1,5%. Os açúcares
(sacarose e glicose) e frutas tem que ser também de ótima qualidade, limpos
e sem apresentarem o menor sinal de fermentação.
3. Composição
3.1. A legislação específica
prevê atualmente a seguinte
composição para o doce de leite:
Umidade Máximo de 30%
Açúcares (exceto lactose) Máximo
de 55%
Proteína Mínimo de 06%
Gordura Mínimo de 02%
Cinzas Mínimo de 02%
Acidez Máximo de 5 ml de
soluto alcalino normal por cento
4. Técnica de Fabricação (Doce para Enlatar)
4.1. Leite:
4.1.1. Devemos usar leite de boa qualidade, acidez no máximo
de 19ºD,
padronizado para 1,5% de gordura. A porcentagem de gordura no leite tem
influência sobre a quantidade de açúcar a ser usada, sendo que quanto mais
gordo for o leite, maior é a quantidade açúcar usada.
4.1.2. A acidez deverá ser reduzida para 13ºD, utilizando
como
neutralizante o bicarbonato de sódio (NaHCO3). O uso do leite com acidez
elevada produzirá um doce de textura esfarinhada ou talhada. Entretanto,
nunca devemos usar um excesso de alcalino para reduzir a acidez, pois isto
contribuirá para o doce de coloração escura.
4.1.3. Considerando por exemplo 100 litros de leite com 18ºD
de acidez:
4.1.3.1. Sabemos que 1ºD corresponde
a 0,1g de ácido lático por
litro, portanto, nós temos 18º - 13º = 5ºD a reduzir por litro de leite, o
que corresponde a 5 x 0,1 = 0,5g de ácido lático por litro. Assim, em 100
litros de leite teremos que neutralizar 100 x 0,5g = 50g de ácido lático. O
peso molecular do bicarbonato de sódio é 84, enquanto o do ácido lático é
90.
4.1.3.2. Utilizando uma regra de três
simples calcularemos a
quantidade de bicarbonato de sódio necessária para neutralizar as 50g de
ácido a reduzir a acidez para 13ºD.
84-------------90
X--------------50
X = 46,6g NaHCO3
4.1.3.3. A quantidade de bicarbonato
acima, corresponderia a um
produto com 100% de pureza. Na prática temos que considerar a pureza do
bicarbonato. Assim, por exemplo, se temos um bicarbonato com 80% de pureza:
46,6g NaHCO3 ------------- 100%
X-------------------------------- 80%
100 x
46,6
X = ---------------------- = 4660 =>
X = 58,29 NaHCO3
80
Necessitaria de 58,29 NaHCO3 com 80% de pureza.
4.2. Padronização do
Leite:
4.2.1. Padronizar o leite, para 1,5% de gordura.
4.3. Açúcar:
4.3.1. A sacarose deve ser de boa qualidade e sem acidez,
sendo
preferível o açúcar refinado. A quantidade a ser usada varia de 18 a 20%,
calculado sobre o volume de leite.
4.4. Concentração:
4.4.1. Tudo preparado, colocamos o leite no tacho,
adicionamos o
bicarbonato de sódio para neutralizar a acidez e iniciamos o aquecimento com
válvula do purgador aberta, para eliminar a água acumulada no interior da
câmara de aquecimento. Quando toda a água for eliminada, fechamos a válvula
do purgador e, tão logo o leite comece a ferver, adicionamos o açúcar.
4.4.2. A pressão deve ser mantida constante durante todo o
processo de
cocção.
4.5. Verificação do
ponto:
4.5.1. A verificação do ponto pode ser feita de diversos
modos:
4.5.1.1. Retirar uma gota do doce e
colocá-la sobre uma pedra de
mármore; quando esta esfriar, indicará a consistência do produto.
4.5.1.2. Gotejar algumas gotas de
doce num copo com água. Quanto
estiver no ponto, estas gotas irão até o fundo do copo sem se dissolverem.
4.5.1.3. Tomando uma gota de doce
entre o polegar e o indicador,
veremos se distende bem ao separarmos os dedos.
4.5.1.4. Usando o refratômetro de
ABBEY.
4.6. Resfriamento:
4.6.1. Verificado o ponto, fechamos o aquecimento, abrimos a
válvula do
purgador e fazemos circular água fria para resfriar o doce para 70 - 75ºC
quando então o doce é enlatado. Esta temperatura do próprio produto é
suficiente para esterilizar a lata evitando fermentações.
4.6.2. Para assegurar a durabilidade do produto, este deve
ser enlatado
quente, a lata deve estar completamente cheia, sem bolsa de ar e o
fechamento deve ser hermético para impedir a entrada de ar.
5. Doce de leite em Tabletes:
5.1. O processo de
fabricação segue as mesmas normas descritas
para o fabrico do doce enlatado, com as seguintes variações:
5.1.1. A quantidade de açúcar a ser usada é de 35%.
5.1.2. Quando o doce começar a tomar corpo, o agitador mecânico
é
desligado e a agitação será completada manualmente, com grande intensidade,
até o produto adquirir ponto.
6. Defeitos no Doce de Leite:
6.1. Coloração:
6.1.1. Coloração muito escura:
6.1.1.1. Este defeito pode ter sido
causado pelo uso excessivo de
alcalino como redutor.
6.1.1.2. Pode ainda ser causado por
um aquecimento muito prolongado
do leite, principalmente quando a pressão do vapor é muito baixa,
prolongando o tempo de concentração.
6.1.2. Coloração muito clara:
6.1.2.1. Caso comum quando o leite é
concentrado sob vácuo.
6.1.2.2. Pode acontecer também, com
menos intensidade, quando usamos
a "tampa cascata".
6.1.3. O escurecimento do doce ou caramelização ocorre
devido a reação
de compostos de amino (proteína, amino-ácidos, etc.) com o açúcar. No doce
de leite os principais reagentes são a caseína e a lactose, sendo este
escurecimento afetado pelos seguintes fatores:
6.1.3.1. Tratamento pelo calor: tão
intenso quanto mais alta for a
temperatura.
6.1.3.2. Concentração de sólidos:
quanto maior mais intensa será a
caramelização.
6.1.3.3. O pH, pois à medida que o
pH se eleva dos limites de 5,7 a
7,5 a caramelização se intensifica.
6.1.3.4. Presença de O2, maior
quantidade - maior caramelização.
6.1.4. À medida que a caramelização ocorre, dois produtos
são formados,
acreditando-se que eles sejam responsáveis pelo escurecimento da cor. São
eles: hidroximetilfurfural e o gliceraldeído.
6.1.5. Quando o doce atingir a concentração desejada sem a
devida
caramelização podemos adicionar uma calda de açúcar queimado, para escurecer
o mesmo.
6.2. Fermentação:
6.2.1. A produção de gás com a decomposição de açúcar
é causada por
leveduras, dentre as quais se destacam a Torula skaerica e a Torula
cremoris. Seu desenvolvimento ocorre quando há oxigênio na lata ou o
enchimento foi a baixa temperatura.
6.3. Doce talhado:
6.3.1. É o resultado da coagulação do leite, devido a
acidez elevada do
mesmo ou do açúcar.
6.4. Decantação:
6.4.1. Este defeito é caracterizado pela separação do doce
em duas
camadas, o que geralmente ocorre quando usamos alguns ingredientes, por
exemplo glicose.
6.5. Cristalização:
6.5.1. Este defeito torna-se aparente após 45 dias de
estocagem do
produto. A conversão da alfa lactose para beta lactose, responsável pela
formação de cristais problemáticos, é um processo moroso, dificultado pela
viscosidade do doce. Estudos realizados com leite condensado nos revelam que
à temperatura de 55ºC, o doce representa uma solução saturada de lactose.
Durante o início do resfriamento a quantidade lactose em excesso sobre a
saturação é pequena e a formação de cristais é vagarosa. À medida que a
temperatura abaixa, a supersaturação da lactose aumenta, a rapidez da
cristalização também aumenta, atingindo o seu ponto máximo a 30ºC. Se a
temperatura do doce continuar a abaixar, a viscosidade do produto aumentará
e a formação de cristais será retardada. A temperatura máxima de
cristalização varia de acordo com a proporção da lactose x água, a qual
depende do total de sólidos e sacarose. Para evitar a formação de cristais
problemáticos, devemos apressar a cristalização durante o resfriamento para
reduzir o estado de supersaturação, passando a saturado. Para forçar a
cristalização o doce deve ser resfriado para 30ºC e a esta temperatura deve
ser rigorosamente agitado por 45 minutos. Durante o período de resfriamento
e agitação o doce deve ser semeado com lactose em pó ou produto de véspera.
6.5.2. Semeadura para evitar a cristalização:
6.5.2.1. Pode-se usar para semeadura
a lactose em pó na sua forma L
ou então o próprio doce fabricado na véspera. A quantidade de lactose a ser
usada é de 0,04% ou seja, 40g para cada 100kg de doce. Quando a semeadura é
feita com doce da véspera, podemos usar 2% ou seja, 2 kg para cada 100 kg de
doce. A lactose deve ser dissolvida em pequena quantidade de doce para
melhor distribuição, sendo adicionada no momento em que o produto estiver
com 40ºC.
6.5.2.2. Após a adição, o produto
deve sofrer agitação de
aproximadamente 1 hora, sendo a seguir completado o resfriamento.
6.5.2.3. A semeadura do doce é um
processo eficiente para evitar
cristalização, contudo apresenta o inconveniente de aumentar sensivelmente o
tempo de fabricação e tornar necessária a esterilização dos produtos
enlatados que é feita a 110ºC/10 minutos.
6.6. Comentários:
6.6.1. Uso da Glicose:
6.6.1.1. Este produto pode ser usado
com a finalidade de produzir um
doce de paladar mais fino, menos adocicado, retardar a cristalização,
aumentar a sua durabilidade. Assim como a sacarose, a glicose a ser usada
deve ser de ótima qualidade, sem fermentações ou acidez, na razão de 2%,
substituindo-se uma parte de sacarose. A glicose tem tendência de tornar o
doce muito mais viscoso durante o armazenamento; para diminuir a
possibilidade, recomenda-se adicioná-la dissolvida em água no final da
concentração. A viscosidade é formada por um complexo proteico-dextrose de
grande capacidade de hidratação